Doze anos depois de o álbum dos U2 aparecer sem pedido em milhões de bibliotecas do iTunes, Bono admite ao New York Times o exagero; o 16.º disco sai a 13 de novembro.

Bono afirmou que a decisão dos U2 de colocar automaticamente 'Songs of Innocence' em milhões de contas do iTunes em 2014 "foi longe demais", segundo a NME, que relata uma entrevista dada ao New York Times doze anos após o episódio. O 13.º álbum da banda foi lançado de graça no âmbito de um acordo com a Apple, e utilizadores de todo o mundo acordaram com ele já na biblioteca, quisessem ou não. Após a reação negativa, a Apple teve de criar uma ferramenta para os clientes removerem o álbum dos seus dispositivos.

Ao jornal, Bono disse que tanto o empresário da banda, Paul McGuinness, como o presidente-executivo da Apple, Tim Cook, estavam receosos com o lançamento gratuito e perguntaram por que queria ele oferecer algo depois de passar a vida a tentar convencer as pessoas a pagar pela música. "Estávamos a experimentar", disse, assumindo sozinho a responsabilidade e explicando que o objetivo era ver se a Apple ou outra empresa pagaria pela música e depois a distribuiria. O guitarrista The Edge foi menos crítico: "Corremos riscos. Temos de o fazer", e falhar por vezes é "parte do trabalho". Bono já tinha chamado ao gesto um "excesso" nas memórias 'Surrender' (2022), dizendo que queria chamar a atenção para o pouco que a maioria dos músicos recebe.

As declarações surgem antes do 16.º álbum de estúdio dos U2, 'Carnaval de Luz', previsto para 13 de novembro, a primeira coletânea completa de material novo desde 'Songs of Experience' (2017). A NME refere que a banda lançou os singles 'Silencio' e 'The Greatest Show on Earth' e anunciou as primeiras datas de uma digressão mundial em 2027, com concertos confirmados no México, Brasil e Argentina. Segundo a mesma notícia, o baterista Larry Mullen Jr. regressa após uma cirurgia, e a banda dará na próxima semana um concerto-surpresa intimista em Londres, em parceria com a BBC.